sexta-feira, novembro 03, 2006

Velhos? Nunca! -Parte 1

Um(a), estimado (a) comentador(a) escreveu o seguinte:
«Gostava que escrevesse um artigo em que falasse de jovens de 10, 11,12 e 13 anos que contactam com esta modalidade. O que é que se pode fazer por eles, já que estamos habituados a que se deve começar aos 5 e 6 anos nesta modalidade. Acha que incentivar jovens nestas idades é uma perca de tempo? Acha que será melhor indicar-lhes outro desporto? Ainda se poderão tornar competitivos, no bom sentido da palavra? Que tipo de trabalho específico pode ser feito para que evoluam mais depressa? Será possível repôr o tempo perdido?
Agradecia a sua opinião»

Antes de mais Obrigado. Obrigado por pedir a minha opinião. Certamente não vou dizer nada de especial. Mas aqui vai:
Do meu ponto de vista os jovens de 10 aos 13 anos de idade não são “velhos” para a modalidade.
Os atletas devem ser incentivados, isso sim. Depois há coisas que depende dos próprios.
Se gostarem muito de PA e se acreditarem na sua pessoa, podem ir longe. Penso que, se estas duas condições estiverem reunidas, poderemos caminhar numa direcção verdadeiramente motivadora e fantástica. Acredito que com trabalho e dedicação o Talento aparecerá mais tarde evidenciado. Para mim Talentosos não são apenas aqueles que têm aptidões físicas inatas. Talentosos também são aqueles que fisicamente não são tão hábeis mas que têm uma força psiquica enorme. (Enquanto treinador, prefiro - mil vezes- trabalhar com um atleta sem jeito, mas que trabalha e acredita, do que um que executa os exercícios com muita facilidade mas é preguiçoso).

Posso aqui confidenciar algo muito pessoal. Comecei a praticar patinagem artística tinha 16 anos. É verdade! Sempre estive ligado ao desporto, mas patinar só mesmo aos 16.

Apesar de ter começado tarde, com amor, trabalho e dedicação fui penta campeão-nacional em pares de dança, tri campeão-nacional em pares artísticos. E fui atleta internacional (representei Portugal no Europeu do Porto em 1992) classificando-me em 10.º lugar em treze pares de dança. E tenho a Primeira Classe em Dança. É certo que os tempos são outros. Também conheço um americano que começou aos 16 anos e foi Campeão do Mundo de dança.

Enquanto treinador tive uma atleta que em duas épocas de uma dedicação impar e trabalho intenso foi vice-campeã nacional de cadetes em livres. O Povo diz "Querer é Poder". E é verdade!

Os casos que referi, são obviamente excepções.

Mas também são bons exemplos para animar, para motivar os atletas. Tive atletas que, por exemplo, com 14 anos, me diziam que estavam velhas para a modalidade. Eu respondia-lhes: olha, quando eu tinha a tua idade ainda nem sequer tinha nascido para a patinagem e tu já dizes que estás a envelhecer? (a cabeça é um mistério, mas também a solução)

Tenho assistido a atletas que entram muito cedo para a modalidade e depois andam lá a vegetar, a perder tempo. E acabam por desistir. Há de tudo.

Tenho observado que vivemos dias muito acelerados. Os jovens querem tudo à primeira. Querem tudo de forma instantânea. Envelhecem sem ter tempo para fazer as coisas devidamente. Depois, ao primeiro obstáculo desistem.

Os verdadeiros campeões (os que gostam) são perseverantes… e todos nós somos campeões à nossa maneira. Tudo depende do que realmente pretendemos. Precisamos de colocar os nossos objectivos de acordo com aquilo que realmente desejamos. Temos que ser sinceros connosco. Não podemos ter nada se nada fazemos por elas. E a PA é um desporto muito complexo e difícil.

Para mim, há um dado que é importantíssimo: É NECESSÁRIO GOSTAR, AMAR A MODALIDADE. E AGIR de acordo com esse ENORME AMOR, essa constante PAIXÃO.

A Patinagem Artística não é só saltos e piões. A leveza, a graciosidade, a imaginação, o espectáculo, a sensação de liberdade, o movimento, o deslize…
Enfim, há muitos aspectos interessantes que podem atrair os jovens praticantes (Show Time).
Ainda tenho saudades de quando passava horas a deslizar, a levar com o ar fresco na cara e a ter uma sensação de liberdade incrível. Única, só mesmo a patinar ou a esquiar.
Penso que é necessário também aprender a olhar para a Patinagem Artística na sua vertente de prazer (Have Fun).
Fim 1.ª parte.

14 Comments:

Anonymous caroline quaresma said...

Concordo com tudo,
é muito melhor trabalhar com um atleta que possa ter começado a patinar na adolescencia ou até mesmo já adulto e seja apaixonado e dedicado a sua pratica, do que um atleta que tenha começado criança, tenha facilidade mas falte garra e determinação.
tenho alunos adultos e adolescentes e todos os dias eles me surpreendem, por isso não podemos colocar limites para nossos atletas, só eles podem nos mostrar até onde podem ir, mas com certeza iram muito mais longe se tiverem nosso apoio incondicional.

6:33 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

Os bons artigos são sempre pouco comentados. Porque será?

7:46 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

Porque até há muito pouco tempo isto não passava de um local de escárnio e mal-dizer.
Espero sinceramente que esteja alterado, com a ajuda do bloger.

2:39 da manhã WET  
Anonymous Anónimo said...

Peloque vi na taça da europa os grandes países de patinagem artistica não lhe dão grande interesse , para eles só lhes interessa o campeonato da europa e do mundo, porque será?

11:24 da manhã WET  
Anonymous Anónimo said...

só se deve falar bem porque em portugal na patinagem artistica está tudo bem
a filha dos mandoes é q manda e tem uns lacaios q fazem um triste papel
graça a deus este blog é livre e opinativo

10:06 da manhã WET  
Anonymous Anónimo said...

De uma forma romântica poderemos dizer isso, mas o que é certo é que um treinador não é um mero vulcão de técnicas e métodos.
Um treinador é muito mais que isso.
O comentário de Caroline (desde já bem-vinda a Portugal via net) é perfeitamente compreensível. E estamos todos de acordo numa coisa: é que dá gosto trabalhar com atletas motivados com vista a chegar ao seu máximo, seja ele qual for (o máximo).
Mas preocupa-me é referirem-se a "atletas com facilidade e sem motivação".
Para mim isso não pode existir.
Existem, neste sentido, 2 tipos de atletas:
1- sem facilidade e com motivação.
2- com facilidade e sem motivação
Já vimos que o 1º é fácil de "lidar com", motiva-nos também.
Mas o segundo tb deverá ser motivador, pois Temos um problema!
E os problemas são para resolver, e quanto mais de pequenino melhor.
Somos profissionais, e como profissionais que somos este 2º caso deveria e TEM de ser motivador também.
A vida de treinador não é fácil, ou não deverá ser.
Como já disse anteriormente, um treinador não é um mero vulcão de métodos e técnicas.
Um treinador ao ter nas mãos uma criança deverá, ou antes, tem a obrigação de analisar o ser que se lhe depara à frente.
A hereditariedade (corpo e mente); a personalidade (comportamento, meio social, parentesco, estimulo, atitude) são factores a equacionar para desencadear no jovem a predisposição para o desporto em geral, e para a patinagem em particular.
Temos vários casos a explorar e todos eles complexos. Por exemplo um atleta com talento e que entre aos 12-14 anos, tem os seguintes factores de motivação:
- se entra com aquela idade é porque está decidido a praticar a modalidade;
- dado deparar com atletas mais jovens que já executam elementos de alguma dificuldade é também um factor de motivação ( ou deverá ser um factor a explorar pelo treinador);
- o facto de ter talento e rapidamente atingir os objectivos também servirá como motivação.
Mas tudo depende também da disciplina que o atleta quer seguir, Porque, Por outro lado se um atleta de 12-14 anos não tem talento mas possui todos os outros factores de motivação, deveremos encaminhá-lo para a disciplina onde poderá atingir os objectivos (e neste momento temos várias).
Estou para aqui a falar de algo sensível demais para ser discutido aqui. Existem bastantes estudos sobre métodos de motivação relacionados com os períodos da vida de um atleta onde são inúmeras as condicionantes para atingirmos o máximo das suas capacidades, mas com isto queria deixar claro que:
- Um treinador deverá estudar cada problema e não desanimar.
- O treinador deverá munir-se do máximo de informação (sobre o atleta sobretudo) para ultrapassar os problemas.
Um treinador poderá construir máquinas de execução de elementos, e hoje em dia o nível está cada vez mais alto, mas para o fazer deverá aplicar toda uma psicologia desportiva que cada vez mais não podemos negar ao desporto de alta-competição, pois é disso de que falamos.
Não podemos ver as coisas de animo leve pois todos sabemos que a maior parte dos jovens entra para a patinagem sem saber o que dela poderá obter, e com o tempo todos querem sucesso desportivo, pais e atletas e clubes. Ao treinador cabe a responsabilidade de os orientar técnica e psicologicamente e apresentar-lhes soluções para a obtenção desse sucesso que não terá de passar por medalhas, mas sim o sucesso pessoal de atingir o máximo das suas potencialidades.
Esse DEVERÁ ser o Sucesso. Independentemente da idade e do talento.
Ser treinador não é fácil.
E por vezes as condições que são oferecidas aos treinadores não permitem sequer desenvolver um plano com vista à obtenção do seu próprio sucesso e evolução(do treinador). É toda uma conjuntura difícil de estarmos aqui a discutir, embora existam já dados suficientes para PELO MENOS ficarmos sensíveis a ela e podermos com perspicácia levarmos todo o nosso trabalho a bom porto.



Relativamente ao talento só queria deixar aqui um pequeno aparte:
Não se confunda Maturidade com Talento!!
São 2 coisas bem distintas!!
Por vezes em escalões de tenras idades encontramos atletas com uma maturidade acima do normal conseguindo obter rapidamente os objectivos normais para a idade e por vezes ultrapassá-los.
Com este tipo de atletas deveremos ter um EXTREMO cuidado quanto a uma desmotivação futura e que me escuso a explicar porquê.
Um treinador tem de no dia-a-dia lutar contra muitas coisas, e uma delas é controlar a sua própria motivação e expectativas relativamente a este ou aquele atleta. Se compreender como todo este mecanismo funciona, mais fácil será de pouco a pouco melhorar a sua capacidade de intervenção.

Abraço

10:44 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

ML

10:47 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

A FPP quando não permite que um elemento seja executado de determinada forma, penso que tem a consciencia plena que não é o melhor para o atleta com vista à obtenção de elementos de maior dificuldade. E no entanto por vezes vêem-se pessoas mais preocupadas noutros aspectos que não esses.
Não é bom para o atleta nem para o país.
Deveremos ver as coisas não só hoje, mas trabalha-las com vista a um amanhã, porque hoje estão menos bem, amanhã será outro dia e bem melhor.
Já agora parabéns a todos os atletas da taça da europa!
Foi fantástico e deverá ter sido emocionante para quem assitiu.

10:59 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

Quanto a casos engraçados de motivação tenho um do qual nunca mais me irei esquecer e sou treinador há 20 anos.

Fui contractado por um clube e, de entre muitas atletas deparei com uma que fazia todos os duplos, mas nenhum completo, e que só tinha conseguido atingir 7º e 8ºs lugares a nível nacional até então.
A mãe dizia-me que estava desmotivada.

Nessa mesma época, e após essa mesma atleta ter ganho:
Taça APP
ter seguido Campeã Regional
ter sido Campeã Nacional,
nunca mais me esquece das palavras da mãe que ao agradecer-me informou-me que a filha nunca mais se ia esquecer do que lhe tinha dito no primeiro dia de treinos.
E que foi:
Olhei-a nos olhos e disse-lhe ( ou antes comuniquei-lhe) "Não te preocupes, Vamos conseguir pôr esses duplos completos num instante"
Eu estava motivado e transmiti-lhe isso.
Bastou isso.
...Essa atleta foi a Lígia Vieira, e foi a minha 1ª Campeã Nacional. Com muito orgulho.

12:31 da manhã WET  
Anonymous Anónimo said...

como é possivel pensar que em meia duzia de meses se consegue fazer tudo.
é mentira que a ligia vieira fizesse todos os duplos roubados. mentiroso. duplos toeloop e salchow completos. os outros ela tinha medo e estava a evoluir. a ligia antes dele teve dois treinadores. é por isso que ninguem gosta dele. anda sempre a dizer mal do trabalho dos outros o dele é sempre o melhor.
mentiroso.
quando é que ela foi campeã nacional de livres? em que ano?
diz lá?
quantos atletas tiveste campeões com esse olhar mentiroso?
o teu orgulho é dizer mal dos teus colegas treinadores.

6:27 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

A ignorancia é o que dá.

quem nao sabe é como quem nao vê...

Dei nomes, pergunte-lhes,e se sabe os treinadores anteriores pergunte-lhes a eles e peça-lhe os videos. mas a si é que não respondo.
lol
até quase que saiu do ecrã com tanta raiva, assustei-me por momentos.
AH! um reparo:
nao foram 6 meses...foram menos!
já agora pergunte tb à daniela pinto sobre o trabalho árduo que tivemos de 3 meses, em que é que deu.
Mas afinal quem é que fala mal de quem?...
:)))))
Com motivação conseguimos muita coisa!
Pena que a sua motivação, neste caso, aliada À ignorancia nao tenha dado em nada.

Eu não tenho de provar nada.
Os Factos existem e estão todos registados. Informe.se para nao fazer figuras destas.
Boa noite

9:42 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

Aliás, faço-lhe mais!!

Veja lá se lhe agrada:
Tenho gravações do incio do ano sempre dos meus atletas, tenho as da ligia, da carla e da daniela, da catarina e de todos os outros. Portanto se se quiser informar avise.
Eu mostro-lhe!!
mas para isso vai ter de dar a cara e pedir por favor.
está afim de comprovar a sua ignorância sobre o assunto ou prefere que fiquemos assim?
esteja à vontade!
Quantos aos campeões nacionais, tem isso na federação, escusa de me incomodar...
e quanto às participações internacionais, quer minhas, quer dos meus atletas, procure lá também.
:)

9:49 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

mas quem é afinal que não percebi..??.. tanta conversa e nada

6:26 da tarde WET  
Anonymous Anónimo said...

o treinador é o jojo! e o clube era a académica de gondomar.

10:04 da tarde WET  

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